Edição: 282

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/5/22

Encomendado pelo Município de Leiria à empresa Hidra

Estudo indica que melhor solução de drenagem na cidade de Leiria é a reabilitação do “caneiro”

Rio Lis

A reabilitação do “caneiro” foi esta terça-feira, dia 16 de maio, apresentada como a melhor solução para a drenagem na cidade de Leiria, no âmbito do Plano Estratégico para a Reabilitação e Beneficiação do Sistema de Drenagem Pluvial da Cidade de Leiria, na margem esquerda do rio Lis, com um conjunto de intervenções que respondem aos problemas atualmente existentes e antecipam o impacto das alterações climáticas.

Encomendado pelo Município de Leiria à Hidra, empresa especializada nesta área, o plano mostra que, além de ser a melhor solução, a requalificação do “caneiro” representa uma poupança superior a quatro milhões de euros face à solução alternativa, que implicaria esventrar a Avenida Heróis de Angola para construção de um novo emissário, um processo de obra muito complexo e com um impacto fortíssimo para moradores e comerciantes.

Pretende-se, com as intervenções propostas, evitar que a cidade continue a sofrer com os impactos dos eventos de inundação, em especial em locais críticos das zonas mais baixas, resultantes da ocupação progressiva de áreas a montante, redes envelhecidas de comportamento unitário, assoreamentos e simultaneidade de eventos extremos de precipitação, com níveis altos no rio, resultando na potencial acumulação de água em zonas baixas, afetando pessoas e bens.

O Plano estabelece como medidas de intervenção a reabilitação/reforço do sistema de coletores, o desvio de caudais (da zona alta) e descarga direta no rio por coletores em pressão, a bombagem de águas pluviais e válvulas de maré na descarga, o controlo na origem de caudais pluviais e ainda ações complementares de gestão.

Apresenta ainda várias soluções alternativas de intervenção, definindo duas bacias, a primeira com uma área de 55 hectares (ha) na zona central da cidade (Bacia 1) e uma segunda bacia com 31 ha que abrange a zona do estádio e ‘Nova Leiria’ (Bacia 2).

Como intervenções comuns às duas bacias, propõe a atualização do cadastro e inspeção, com sistema de monitorização e aviso, e ainda a construção de diques entre a ponte do Arrabalde e o açude do Arrabalde, e entre o açude e a ponte do IC2, e instalação de ‘stop-logs’ nos acessos ao rio.

Para a Bacia 1, são propostas quatro alternativas: Solução A – reabilitação do património existente (“caneiro”); Sol. A1 – substituição do “caneiro”; Sol. B – Implementação de novo sistema separativo (Central Projetos), e Sol. C – novo sistema separativo e coletores de meia encosta.

Para a Bacia 2 são propostas três soluções: Sol. 1 – Desvio de caudais; Sol. 2 – Desvio de caudais e reforço de rede; e Sol. 3 – Desvio de caudais e reforço de rede e controlo na origem.

O estudo recomenda para a Bacia 1 a adoção da Solução A e para a Bacia 2 a Solução 1.

Para a Bacia 1, a Solução A contempla a reabilitação do “caneiro”, com substituição do troço inicial do “caneiro” entre Praça Goa Damão e Diu e o Beco de S. Francisco, a reabilitação do troço do “caneiro” no Beco de S. Francisco, recomendando ainda um coletor de meia encosta (sob pressão), para desvio de caudais e ainda uma Estação Elevatória no Largo Papa Paulo VI, com eletrobombas, de forma a evitar inundações em zonas críticas.

Para a Bacia 2, a Solução 1 compreende novos coletores de desvio, com desvio de bacias a montante para dois novos pontos de descarga, pela implementação de dois novos coletores.

Relativamente ao investimento, no caso da Bacia 1, o montante é de 3,2 milhões de euros (a solução C seria 7,2 M€), enquanto para a Bacia 2, o investimento é de 1,35 M€, ou seja, o total das duas soluções é de 4,6 M€.

Refira-se que entre os principais problemas identificados na situação atual, referem-se limitações da capacidade hidráulica dos coletores, resultando em extravasamentos, tal como a escassez de energia gravítica, nomeadamente na zona baixa do centro histórico, especialmente em situações de elevado nível do rio Lis.

O Plano refere ainda a existência de áreas urbanas localizadas em leito de cheia sem proteção eficaz, assoreamento e obstrução de coletores, a existência de coletores contruídos sob edifícios, tal como a ineficiência dos dispositivos de interceção do escoamento superficial e de afluências indevidas de águas residuais e do rio Lis, no sistema de drenagem pluvial.

O desenvolvimento do Plano Estratégico envolveu análise de informação, estabelecimento de critérios e requisitos das campanhas de inspeção, de prospeção geológica e geotécnica e de diagnóstico estrutural, e de monitorização hidráulica e ambiental, tal como a avaliação de desempenho do sistema de drenagem atual e estabelecimento de medidas (soluções) e cenários de evolução, resultando num plano que propõe a reabilitação e beneficiação do sistema, incluindo medidas de curto, médio e longo prazo, seu planeamento e custos de investimento.

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