Edição: 282

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/5/28

Viagem ao Passado na Real Fábrica do Gelo

Recriação Histórica e Mercado Setecentista proporcionam este domingo uma viagem no tempo na Serra de Montejunto

Recriação histórica na Real Fábrica do Gelo

Este domingo, dia 21 de maio, pelas 15h00, a Serra de Montejunto será novamente palco de uma Recriação Histórica na Real Fábrica do Gelo, este ano com uma aposta na profissionalização da iniciativa, que será levada a cabo pela empresa Sons e Ecos.

Este evento pretende “contar a estória” daqueles que viveram e usufruíram do gelo proveniente da serra. Povo e realeza estarão presentes nesta recriação, que também pretenderá trazer ao presente as vivências das gentes do século XVIII.

Esta edição, apesar do estatuto profissional, irá contar com a participação de cerca de duas dezenas de cadavalenses como figurantes, solicitados à Associação Filarmónica 1.º de Dezembro de Pragança, à Universidade Sénior do Cadaval (grupo de história) e aos alunos do Curso Profissional Técnico de Turismo Ambiental e Rural do Agrupamento de Escolas do Cadaval, «o que nos traz de alguma forma o envolvimento da população, o que é sempre importante», afirmou José Bernardo Nunes, Presidente do Município do Cadaval, que também admite ter expetativas altas em relação a este evento.

Quase tudo o que se sabe sobre a atividade da Real Fábrica do Gelo deve-se à tradição oral, nomeadamente a testemunhos de descendentes de pessoas que trabalharam no fabrico do gelo. Quando chegava o mês de setembro, enchiam-se os tanques rasos de água e durante a noite esperava-se que o frio a congelasse. Quando o gelo se formava, o guarda da fábrica ia a cavalo até à aldeia de Pragança e, com uma corneta, acordava os trabalhadores. Antes do nascer do sol, num trabalho árduo e duro, as placas de gelo eram partidas, os fragmentos amontoados e depois carregados para os silos de armazenamento, onde o gelo era conservado até à chegada do verão.

Na época do calor, decorria a complicada tarefa do transporte até à capital do reino. Primeiro o gelo era transportado no dorso de animais, para vencer o acentuado desnível da serra. Seguia depois em carroças que o faziam chegar, o mais rápido possível, aos “barcos da neve” ancorados na Vala do Carregado. Estes barcos completavam o circuito do gelo, transportando-o até Lisboa. Estima-se que a atividade da Real Fábrica do Gelo tenha cessado em finais do Séc. XIX, tendo caído no esquecimento por quase um século.

Mercado Setecentista ajuda a recriar o ambiente histórico da iniciativa

Neste mesmo dia, entre as 10h00 e as 19h00, inserido na Recriação Histórica, decorrerá na Mata dos Castanheiros o Mercado Setecentista, tendo como objetivo recriar o ambiente setecentista na envolvente deste Monumento Nacional, permitindo uma experiência mais completa aos visitantes, ao mesmo tempo que permitirá aos artesãos e produtores locais promoverem os seus produtos.

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