Edição: 281

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/4/22

Seis anos depois

PCP acusa Governo de não resolver problemas que originaram os grandes incêndios de Pedrogão Grande

Floresta após os incêndios de Pedrão Grande

Os incêndios de Pedrogão Grande de Junho de 2017 marcaram profundamente toda a região e o País. A Direção da Organização Regional de Leiria do PCP recorda os milhares de hectares de floresta ardidos, mais de 500 habitações destruídas, dezenas de feridos e 66 mortos que constituem um negro rescaldo, considerando que “seis anos passados, continua a não encontrar a resposta necessária.”

Para o PCP, “os incêndios de Pedrogão de Grande não resultaram de uma casualidade, têm causas estruturais, há muito identificadas, que poderiam ter sido evitadas. O abandono a que a política dos sucessivos governos sentenciou toda a região do Pinhal Interior Norte – com o encerramento de serviços públicos, a desvalorização da agricultura familiar e de outras atividades produtivas, a desorganização florestal, a falta de investimento na proteção civil e nos bombeiros- são as verdadeiras causas dos incêndios de 2017.”

“Seis anos depois, apesar do corrupio de visitas, relatórios, legislação, anúncios e promessas o fundamental das medidas estruturais e preventivas que se impunham continua por fazer e é ainda mais difícil fixar população nestes territórios”, alerta.

O PCP sublinha que sempre alertou para os riscos e consequências de uma política que acentua desigualdades na sociedade e no território e interveio, ao longo destes seis anos, com múltiplas iniciativas para responder aos problemas de fundo.

Assim, seis anos depois, o PCP considera urgente avançar no cadastro florestal; assegurar o preço justo da madeira e promover o ordenamento florestal; concluir a rede primária de faixas de gestão de combustível; apoiar a pequena agricultura; contratar os meios humanos necessários, designadamente as 500 equipas de sapadores florestais aprovados na lei de defesa da floresta.

Também urgente “é constituir o Comando Nacional de Bombeiros; garantir o financiamento suficiente para as Associações Humanitárias de Bombeiros; aprovar um regime jurídico especial que reconheça e valorize as carreiras, os rendimentos, o quadro de aposentação e o estatuto social dos bombeiros.”

O PCP defende também “a concretização de um plano de recuperação económica e demográfica para todo o Pinhal Interior Norte com os meios e o investimento público adequado, que contribua para a fixação das atividades produtivas e das populações.”

Ainda urgente é “garantir neste verão os meios e capacidade operacional adequados face aos elevados riscos de incêndio existentes e que continuam a ameaçar esta região e grande parte do País.”

Por fim, para o PCP, “é urgente concluir o processo de recuperação das habitações afetadas pelos incêndios, avançar na recuperação ordenada da floresta, revertendo a reflorestação natural e de espécies não autóctones, e travar a exploração intensiva promovida pela indústria do papel.”

Ao longo destes 6 anos, independentemente da maior ou menor atenção mediática, o PCP recorda que “nunca deixou de intervir de forma coerente e combativa na defesa das populações e da região. Foi isso que levou à apresentação de dezenas de iniciativas na Assembleia da República, ao questionamento da Comissão Europeia, a dezenas de propostas em sucessivos Orçamentos do Estado, à presença no terreno por diversas vezes do secretário-geral do PCP como aconteceu a 17 de Junho do ano passado quando se assinalavam 5 anos sobre os incêndios.”

O PCP realça que “sempre recusou a instrumentalização da tragédia de Pedrogão Grande e das suas vítimas” e que “a preservação da memória é indissociável da coerência política entre as afirmações, mais ou menos condoídas, e a prática. As políticas do Governo e as votações sucessivas de PS, PSD, IL e Chega contra as propostas do PCP sobre o investimento nos Bombeiros e Proteção Civil, o ordenamento da floresta e reforço da verba para o ICNF, o apoio à agricultura familiar ou o investimento nos serviços públicos, demonstram uma incoerência a todos os níveis criticável.”

Segundo a DORLei do PCP, “as populações dos concelhos do Pinhal Interior Norte sabem e reconhecem que encontram no PCP uma força confiável, consequente e determinada na defesa dos seus interesses e aspirações a viver melhor nas suas vilas e localidades, na garantia da preservação dos seus hábitos, tradições e memórias, no desenvolvimento e progresso da sua região.”

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