Edição: 280

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/3/1

Opinião

Convento Santo António dos Capuchos – Leiria

Na Rua do Hospital Militar, Bairro dos Capuchos, existem as ruínas do Convento de Santo António dos Capuchos, da Ordem dos Arrábidos. Este local foi, segundo Lucília Verdelho da Costa, antigamente, denominado “Sítio dos Covelos” e após a extinção das Ordens Religiosas, passou a integrar o Estado.

A autora refere que em 1864 aí ficou sediado o Hospital Militar e que na data em que escreveu o livro, 1989, [1] o espaço era ainda pertença do Hospital Militar, utilizado como arrumos, mas já em avançado estado de degradação. Informa, que no local da primitiva capela, foi construída uma casa e que na parte conventual, em 1770, data registada na parede da fachada do convento, ocorreram obras de envergadura, na qual foram construídas duas partes laterais com galilé.

Quando entramos na galilé e acedemos ao corpo do edifício, à direita, podemos hoje observar o que resta de uma capela. Um quadro desolador.

Lucília da Costa continua a elucidar-nos. Ficamos a saber que o convento foi fundado por D. Pedro Vieira da Silva, em 1657 e que no interior do edifício existiu um magnífico conjunto azulejar da época dessa primitiva construção.[2]

“(…) Pedro Vieira da Silva, ministro de muitas letras e virtudes, que foi secretário de estado dos senhores reis, D. João 4.º, D. Afonso 6.º, e Pedro 2.º, enquanto regente plenipotenciário da paz ajustada com Castela em 1668, e depois ter casado com D. Luiza de Noronha, enviuvado, se fez clérigo, e veio a ser bispo desta cidade de Leiria, onde fundou o Seminário contando-se o décimo na série dos prelados da mesma.”[3]

O edifício é simbólico para esta parte da cidade de Leiria. Aliás, a placa com o nome da rua diz-nos: “Rua do Hospital Militar”. Aqui existiu um hospital militar, aqui existiu um convento dos Capuchos, do qual ainda existem alguns vestígios.

Será que ainda, nos encontramos no velho paradigma, de deixa-se cair, para vender e fazer mais um prédio, numa linha igual a outros já existentes? Ou vamos aproveitar o que ainda existe, requalificar e dar nova utilização: residências, gabinetes de trabalho, lojas, etc., … com capela, galilé e fachada preservadas e restauradas, claro!

E quem sabe, criar um concurso público, garantindo uma boa arquitetura, em que seja preservado o que ainda pode servir e adequar soluções inovadoras no imóvel, de forma a poderemos usufruir de um espaço esteticamente agradável, na cidade. Espaço onde as várias gerações possam sentir raízes…

[1] COSTA, Lúcia Verdelho da, Leiria, Coleção Cidades e Vilas de Portugal, Editorial Presença, 1989:40-41.

[2] Idem.

[3] In, D´AZEVEDO, Ricardo Charters, A Estrada de Rio Maior a Leiria em 1791, Editora Textiverso, Tempos & Vidas 15, Leiria, 2011:62. Nota: O sublinhado é da nossa autoria.

 Ana Cristina Tavares

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