Edição: 281

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/4/20

Resultados nacionais foram divulgados publicamente no congresso “Arritmias 2024”

Cardiologia da ULS da Região de Leiria ocupa 3º e 4º lugares a nível nacional na implantação de dispositivos intracardíacos

Hospital de Santo André

O Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULS RL) ocupa o terceiro lugar nos registadores de eventos cardíacos implantáveis (tendo à frente os hospitais de Coimbra e de Guimarães), e a quarta posição na implantação de pacemakers, cujo pódio é ocupado pelos hospitais de Santa Maria, Coimbra e Santa Marta. Estes resultados nacionais foram divulgados no âmbito do congresso “Arritmias 2024”, realizado este mês em Cascais e organizado pela Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Eletrofisiologia.

Hélia Martins, médica arritmologista e coordenadora da equipa de implantação de dispositivos na ULS RL, reagiu com naturalidade aos resultados. «Servimos uma área geográfica de 400 mil habitantes e, com o envelhecimento da população, verifica-se uma necessidade crescente de implante de dispositivos intracardíacos. Foi, contudo, com alguma surpresa que constatámos que existem vários hospitais centrais com números bastante inferiores ao nosso hospital e com condições bastante melhores (equipas de aritmologia dedicadas a tempo inteiro e salas de bloco operatório não partilhadas). Gostaria de agradecer a toda a equipa que tornou este número possível e que trabalha diariamente para ser melhor.»

O Serviço de Cardiologia iniciou as técnicas de pacing cardíaco em 2010, e em 2022 começou a realizar a implantação de pacing avançado, que inclui os cardiodesfibrilhadores e os sistemas de ressincronização biventricular, o que permitiu que os doentes pudessem ser tratados no seu hospital de referência e sem tempos de espera prolongados. Em 2023, o Serviço iniciou a implantação de dispositivos por via subcutânea, que engloba os chamados registadores de eventos, que permitem detetar anomalias da atividade elétrica do coração. No total já foram implantados cerca de cinco mil dispositivos, distribuídos pelas diferentes categorias.

A equipa especializada de profissionais que procede à implantação de dispositivos é constituída por dois médicos, quatro técnicos de diagnóstico e terapêutica e quatro enfermeiros, e tem o apoio de profissionais não médicos que também colaboram na atividade da Unidade de Hemodinâmica e Intervenção Cardiovascular da ULS RL. «Esta atividade é muito exigente do ponto de vista técnico, obrigando a equipa e o médico, em particular, a um grande esforço para permanente atualização, a que acresce a necessidade de um grande treino e experiência», explica João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia da ULS RL. «Ter uma equipa reduzida tem uma vantagem que se traduz numa extraordinária experiência, que assegura ao doente um trabalho altamente qualificado.»

As patologias tratadas nesta área são anomalias do ritmo cardíaco, que se dividem em dois grupos: as bradicardias, nas quais o coração subitamente trabalha com uma frequência muito lenta e, por esse motivo, é incapaz de cumprir a sua missão; e as taquicardias, nas quais o coração apresenta arritmias potencialmente letais, as quais são interrompidas através da aplicação de um choque elétrico, através dos denominados desfibrilhadores, implantados nos doentes que já tiveram ou estão em risco de ter estas arritmias, as quais, se não forem imediatamente tratadas, são mortais.

«Entre estes dispositivos dispomos ainda dos chamados sistemas de ressincronização biventricular, adequados para doentes com insuficiência cardíaca. Estes sistemas permitem melhorar a atividade do coração que está em falência e ao mesmo tempo podem eles próprios atuar como cardiodesfibrilhadores», descreve João Morais.

O diretor do Serviço de Cardiologia perspetiva o futuro desta área e equipa referindo que «iremos certamente crescer nos sistemas de pacing avançado, já que também aqui a capacidade de diagnóstico vai aumentar, mas onde espero crescer é na diferenciação tecnológica, permitindo aos doentes terem acesso às melhores terapias, as mais confortáveis e eficazes. Como toda a Cardiologia, a área de pacing cardíaco está sujeita a uma constante inovação, com a expectativa que a ULS RL a possa acompanhar».

Hélia Martins realça ainda que «a motivação diária vem do próprio doente. Disponibilizar um tratamento atempado sem deslocações desnecessárias tanto em ambiente eletivo como em situação de urgência é muito gratificante. Temos know how e queremos que os utentes da ULS RL possam usufruir deste conhecimento técnico. A possibilidade de evoluirmos também nos motiva». E acrescenta que «vamos iniciar a curto prazo técnicas de pacing fisiológico e pacemaker sem fios. Estas evoluções só são possíveis devido à elevada diferenciação da equipa e atualização constante.»

     Fonte: Midlandcom

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