Edição: 283

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/6/14

Sessões dedicadas a adolescentes referenciados com idades entre 13 e 18 anos

Corporalmente é o novo projeto terapêutico da ULS da Região de Leiria

Sessão de “Corporalmente”

A Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL) tem um novo projeto terapêutico denominado Corporalmente, dinamizado por Joana Pardal, assistente social, e por Ana Lúcia Simões, terapeuta ocupacional, que integram a Equipa Comunitária de Saúde Mental para a Infância e Adolescência do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência. Criado em março, este projeto pretende intervir junto de adolescentes entre os 13 e os 18 anos, referenciados através de consulta médica de Pedopsiquiatria, com diagnóstico de perturbação de ansiedade generalizada e desregulação do humor e emoções, bem como perturbações do comportamento alimentar, que tenham impacto significativo na relação com o outro e alterações na sua autoperceção/autoestima, afetando as atividades de vida diária.

«Há estudos que apontam que, na ausência de saúde mental, existe um desinvestimento do adolescente nas suas atividades de rotina diária, sobretudo nas atividades de autocuidado ou em rotinas pouco eficazes e comprometedoras do bom desempenho e equilíbrio ocupacional e social», aponta Ana Lúcia Simões.

As principais finalidades do projeto são fomentar o sentimento de autoeficácia, autoestima, autoconhecimento; promover rotinas de autocuidado, que se traduzam em bem-estar, com atividades de movimento, expressão corporal e técnicas projetivas; melhorar a aceitação da imagem corporal, quer através da exteriorização de emoções, quer na relação corpo-mente-respiração; potenciar a participação social através do envolvimento de relações mais adequadas com os pares; promover as competências de comunicação e interação; e providenciar um maior envolvimento ocupacional/social pela promoção de novas experiências de lazer, adequadas à etapa de desenvolvimento.

As sessões, com o limite máximo de oito elementos por grupo de jovens, decorrem com uma metodologia ativa, nomeadamente dinâmicas grupais, visionamento de vídeos, discussão em pequeno e grande grupo, “chuva” de ideias, auto monitorização, entre outras. Uma das ações, “Maquilhagem Terapêutica”, realizou-se em parceria com a enfermeira Sónia Pereira e Tânia Ferreira. Esta sessão não se centra por si só no embelezamento, mas na expressão do autocuidado e na relação psicossocial e emocional de cada adolescente.

«A evidência científica mostra-nos que as metodologias que envolvem grupos terapêuticos, com dinâmicas sociais, num espaço protegido e seguro permitem ao adolescente ultrapassar obstáculos impostos pela própria doença. Estas dinâmicas ganham uma real dimensão na adolescência, uma vez que é uma faixa etária de forte cariz social entre pares», explica Joana Pardal.

O projeto Corporalmente tem a duração de dez sessões, com lugar no Hospital de Santo André, em Leiria, existindo a expetativa de alargar posteriormente o projeto terapêutico a outras unidades de saúde da ULSRL, nas quais a equipa comunitária desenvolve a sua atividade assistencial.

Segundo a médica pedopsiquiatra e diretora do Serviço de Pedopsiquiatria, Graça Milheiro, «o projeto Corporalmente constitui mais uma resposta do nosso serviço que vai dotar os nossos jovens de ferramentas importantes para melhorarem o investimento neles próprios, aumentar a sua autoestima e autoconceito, fatores essenciais para o seu bem-estar emocional. O facto de ser uma intervenção em grupo permite criar uma rede de suporte entre os seus elementos, pois cada um pode dar e receber apoio entre si, ajudando-se mutuamente a lidar com os problemas e experimentar um alívio ao se aperceber de que não é o único a passar pelos mesmos problemas e que não está sozinho, reduzindo o sentimento de solidão».

«A participação do Serviço Social numa equipa multiprofissional como é o projeto “Corporalmente” é fundamental, na medida em que promove e contribui para a integração do indivíduo na comunidade e no seu meio social. A intervenção do Serviço Social em grupos de maior vulnerabilidade social visa, assim, o combate à exclusão social, promovendo a inclusão e coesão social e mantendo a estabilidade social. A intervenção precoce é essencial para prevenir patologias mais graves no futuro, e assim reduzir custos futuros para o indivíduo, família, sistema de saúde e até para a economia do país», indica Cidália Faria, diretora do Serviço Social da ULSRL. «São vários os processos através dos quais podemos favorecer a saúde dos indivíduos, entre eles mecanismos de controlo e mobilização do stress e o uso do reforço positivo dos comportamentos desejáveis, estratégias dinamizadas e objetivos preconizados pelo grupo terapêutico “Corporalmente”.»

    Fonte: Midlandcom

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