Edição: 284

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/7/20

Torres Novas

proTEJO reivindica o acesso à nascente do Almonda e devolução do rio ao usufruto da população

Descida do rio Almonda em canoas

proTEJO reivindicou, no dia 29 de junho, o acesso à nascente do rio Almonda devolvendo-a ao usufruto da população ribeirinha e a necessidade de adequação do uso da água do rio Almonda às disponibilidades hídricas atuais e futuras, estabelecendo-se um regime de caudais ecológicos no seu curso e na chegada ao rio Tejo

A jornada “Por Um Almonda Livre” iniciou-se pela manhã com a descida de canoa “11º Vogar contra a indiferença” com cerca de 30 participantes em 15 kayaks que coloriram o corredor ecológico do rio Almonda, importante afluente da rede hidrográfica do Tejo, defendendo os rios Vivos sem poluição e Livres de açudes e barragens para assegurar a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos, o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas e os fluxos migratórios das espécies piscícolas.

O “11º Vogar contra a indiferença” iniciou-se no jardim do Almonda Parque e continuou com um percurso fluvial em canoa pelo rio Almonda até ao final do seu corredor ecológico na cidade de Torres Novas que facultou aos participantes uma experiência de defesa de uma causa comum, de comunhão com o rio e de fluviofelicidade com a beleza do património natural de um rio Almonda no Município de Torres Novas.

A “Carta Contra a Indiferença” (em espanhol) que a proTejo publicou este sábado e foi lida na demonstração ibérica “Por Um Almonda Livre” exige o acesso à nascente do rio Almonda devolvendo-a ao usufruto da população ribeirinha e a necessidade de adequação do uso da água do rio Almonda às disponibilidades hídricas atuais e futuras, estabelecendo-se um regime de caudais ecológicos no seu curso e na chegada ao rio Tejo como garantia de conservação dos ecossistemas aquáticos, em especial da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO.

Delegações portuguesa e espanhola junto à nascente do Almonda

Reivindicou-se ainda o acompanhamento, monitorização e verificação do cumprimento das licenças de descargas de efluentes das ETAR urbanas e industriais, exigindo a tomada de medidas de proteção ambiental com base no princípio da precaução.

Esta Carta pretende ser um testemunho de que a conservação ecológica do rio Almonda e dos rios da bacia do Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer para a sustentabilidade da Vida e para a conservação do seu património, sendo hoje urgente defender rios Vivos sem poluição e Livres com dinâmica fluvial de modo a garantir: a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas; a conservação dos ecossistemas, dos habitats e da biodiversidade; o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; a rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens e a exigência de uma regulamentação adequada para as barreiras que já existem; um regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

Entre estes cidadãos contou-se com a participação de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, provando-se que a defesa da Vida nos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.

Realizou-se ainda a consciencialização das populações ribeirinhas para o aumento das pressões negativas que resultam da sobre exploração da água do Tejo: as que se avizinham, com projetos de construção de novos açudes e barragens, e as que já existem, face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da Estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear. Foram ainda realçados a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio e das atividades de educação ambiental e turismo de natureza, cultural e ambiental.

Esta atividade foi organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejoe pela EcoCartaxo – Movimento Alternativo e Ecologista, contando com o apoio do Município de Torres Novas, da Viver Almonda, do UmColetivo e da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, sendo responsável pela descida a Viver Almonda.

      Fonte: proTejo

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