Edição: 305

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/4/26

Opinião

40 anos de Chernobyl, 40 anos de contaminação

Cartaz do movimento antinuclear

A 26 de abril de 1986 ocorreu o acidente na central nuclear de Central Nuclear de Chernóbil, na atual Ucrânia, a maior catástrofe da história da energia nuclear civil. A nuvem nuclear percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão.

Quarenta anos depois, não nos libertámos de Chernóbil. A contaminação radioativa persiste em vastas áreas da Europa, afetando ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas. Milhares de pessoas foram expostas à radiação e continuam a viver com as suas consequências, muitas vezes invisíveis, mas duradouras. O acidente não pertence ao passado: continua presente no território, na saúde pública e na memória coletiva, demonstrando que os impactos da energia nuclear se prolongam por gerações e não conhecem fronteiras.

Chernóbil evidencia também um padrão recorrente: a tendência para minimizar riscos, ocultar impactos e normalizar o inaceitável. Décadas depois, persistem zonas interditas, solos contaminados e populações que vivem sob o peso de uma catástrofe que nunca terminou verdadeiramente. Esta realidade contraria a narrativa de segurança frequentemente associada à energia nuclear e demonstra que os custos humanos, ambientais e económicos são incomportáveis.

Chernóbil é agora um alvo da guerra. O episódio mais recente foi a 20 de Janeiro de 2026, quando se localizaram três drones a 5 km da central e as atividades militares danificaram uma subestação crítica que provocou a desconexão de três linhas elétricas que alimentavam o local.

A central de Zaporijia está também na linha da frente da guerra. As centrais de todo o mundo, como no Irão, são alvos militares em potência.

Neste contexto, o Movimento Ibérico Antinuclear reafirma que a energia nuclear não é uma solução para a crise energética nem para as alterações climáticas. Pelo contrário, representa um risco estrutural, com consequências potencialmente irreversíveis, como tragicamente demonstrado em Chernóbil.

A experiência de Chernóbil deve servir de alerta para a realidade ibérica. Em particular, a Central Nuclear de Almaraz, situada junto ao rio Tejo e próxima da fronteira portuguesa, constitui um risco transfronteiriço que não pode ser ignorado. O envelhecimento das infraestruturas, os riscos sísmicos, a possibilidade de acidentes graves e a contaminação associada ao funcionamento normal da central reforçam a urgência do seu encerramento.

O Movimento Ibérico Antinuclear denuncia todas as tentativas de prolongar a vida útil de centrais nucleares envelhecidas, colocando interesses económicos de curto prazo acima da segurança das populações e da proteção ambiental. A lição de Chernóbil é clara: quando ocorre um acidente nuclear, as consequências ultrapassam qualquer capacidade de controlo e prolongam-se por décadas.

Perante isto, o Movimento Ibérico Antinuclear exige o encerramento da central nuclear de Almaraz, a rejeição de qualquer prolongamento da sua operação e a aposta decidida em energias renováveis seguras, limpas e sustentáveis. Defende igualmente que o processo de encerramento deve ser acompanhado por um plano social justo para os trabalhadores da central, assegurando a sua reconversão profissional e a criação de empregos verdes e dignos, associados à transição energética e à proteção do ambiente.

Quarenta anos depois, Chernóbil continua a lembrar-nos que não há energia nuclear segura. Há apenas riscos que, mais cedo ou mais tarde, se tornam realidade.

   Fonte: MIA

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