Edição: 311

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/10/9

A apresentação do livro “As Invasões Francesas na região de Alcobaça” integra as comemorações do Dia Nacional das Linhas de Torres 2026

Professor Leonel Fadigas apresenta em Torres Vedras livro sobre as Invasões Francesas

Capa do livro

No âmbito das comemorações do Dia Nacional das Linhas de Torres 2026, que terão lugar em Torres Vedras, realiza-se no próximo 11 de outubro, pelas 15h00, no Forte de S. Vicente, a apresentação do livro As Invasões Francesas na Região de Alcobaça: memória histórica e social de tempos sofridos, da autoria do professor Leonel Fadigas. A sessão contará com a apresentação da obra e do autor pelo professor Carlos Guardado da Silva, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e prefaciador do livro. O programa inclui ainda uma visita orientada ao Forte de S. Vicente e um Torres Vedras de Honra.

Mais do que uma análise dos acontecimentos militares e políticos associados às Invasões Francesas, a obra centra-se nas suas consequências humanas e sociais, retratando os tempos difíceis vividos pelas populações da região de Alcobaça. Através de um rigoroso trabalho de investigação histórica, Leonel Fadigas recupera um passado marcado pela violência, pela instabilidade e pela capacidade de resistência das comunidades locais, evidenciando o profundo impacto destes acontecimentos no quotidiano, na economia e na organização social da região.

Adotando uma abordagem inovadora que cruza a História com a memória social, o autor contextualiza os acontecimentos à escala nacional e europeia sem perder de vista a realidade concreta das populações que os viveram. A região de Alcobaça surge, assim, como protagonista de uma narrativa marcada pela provação, adaptação e resistência, cuja memória permaneceu viva ao longo de mais de um século.

A investigação documenta um período particularmente dramático durante a terceira Invasão Francesa. Entre 8 de outubro de 1810 e março de 1811, as tropas francesas terão provocado a morte de pelo menos 112 pessoas nos atuais concelhos de Alcobaça e Nazaré e na freguesia do Juncal, no concelho de Porto de Mós. Assaltos, pilhagens, incêndios, violações e homicídios atingiram numerosas localidades, num contexto de violência generalizada sobre as populações civis. Em muitos casos, as vítimas foram encontradas apenas meses depois, permanecendo algumas insepultas nos locais onde perderam a vida. O autor sustenta que o número real de vítimas poderá ter sido significativamente superior ao registado.

A deslocação de milhares de pessoas para trás das Linhas de Torres Vedras e a ausência de muitos párocos das suas freguesias durante a invasão dificultaram o registo de mortes e enterramentos ocorridos nesse período. A obra destaca igualmente a dimensão humana do êxodo provocado pela estratégia militar adotada pelo general Wellington. Segundo a investigação apresentada, cerca de dois terços da população da região abandonaram as suas terras, refugiando-se atrás das Linhas de Torres Vedras, situação que terá contribuído para a morte de aproximadamente 1.050 pessoas nos locais de refúgio.

Enquadrando as Invasões Francesas no contexto dos conflitos europeus entre a França napoleónica e a Inglaterra, o livro recorda que Portugal foi uma das principais vítimas deste confronto, sofrendo os efeitos devastadores de uma guerra que atingiu de forma particularmente severa as populações mais vulneráveis. As Invasões Francesas na Região de Alcobaça: memória histórica e social de tempos sofridos constitui, assim, um importante contributo para o conhecimento e compreensão do impacto das Invasões Francesas na região, preservando a memória das vítimas e dando voz às comunidades que sofreram um dos períodos mais trágicos da História de Portugal. Mais do que números, estas vítimas representam famílias destruídas, comunidades devastadas e um sofrimento coletivo que marcou gerações.

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